"Apesar da crise no mercado de crédito e dos recentes problemas de caixa da Petrobras, o Palácio do Planalto avalia que a estatal terá condições de manter o cronograma de investimentos na exploração do petróleo do pré-sal nos próximos dois anos. Em contrapartida, porém, haverá um corte em outras áreas nesse período, principalmente em refinarias, para adequar o caixa da empresa a tempos de crise. A expectativa do governo se baseia num dos cenários de investimentos da estatal elaborado para o desenvolvimento do pré-sal, ao qual a Folha teve acesso. Nele, os valores de investimentos em 2009 e 2010 não são tão elevados: somam US$ 3,24 bilhões e US$ 3,30 bilhões respectivamente, montante que seria suportável mesmo dentro da nova realidade do mercado financeiro. A conta começa a ficar mais salgada a partir de 2011, quando a previsão de investimento salta para US$ 5,12 bilhões. No ano seguinte, pula para US$ 11,85 bilhões. Até lá, porém, o governo acredita que a crise tenha passado e que o acesso ao mercado de crédito internacional esteja normalizado, principalmente para projetos de geração de energia.
Esses dados ainda não são definitivos, mas dentro do governo a avaliação é que eles fiquem próximos disso. Nesse cenário obtido pela Folha, o total de investimentos entre 2009 e 2020 na exploração do pré-sal pela Petrobras ficaria acima de US$ 320 bilhões. Tanto no Palácio do Planalto como na Petrobras, a ordem é priorizar os projetos de exploração do pré-sal, considerado estratégico para desenvolvimento da estatal por conta de sua alta lucratividade. Nessa primeira fase do pré-sal, ressalta um assessor do presidente Lula, "não existe problema de partida", mesmo com a escassez de crédito. Os investimentos ficam ainda mais pesados a partir de 2014, data anteriormente prevista para o início de uma produção em larga escala comercial do pré-sal. Em 2015, por exemplo, os desembolsos seriam de US$ 36,54 bilhões, atingindo o pico em 2018 (US$ 50,61 bilhões). Para manter os investimentos previstos no pré-sal intactos, contudo, a Petrobras fará um "alongamento" no seu plano estratégico a ser divulgado até o fim do ano. A primeira vítima dessa revisão, segundo assessores presidenciais, serão duas refinarias "premium" (para produzir gasolina de melhor qualidade para o mercado externo),
no Ceará e no Maranhão, projetos que sofrerão alterações no prazo original de implantação. Pelo cronograma inicial de desenvolvimento do pré-sal, que o governo acredita ser possível manter, em março do próximo ano começa um teste de longa duração no campo de Tupi, com produção de 30 mil barris/dia. Em dezembro de 2010, entraria em operação um sistema-piloto de produção em Tupi, de 100 mil barris/dia. Dentro da Petrobras, porém, há quem defenda uma mudança nesses prazos para adequá-los à nova realidade da economia, que já se refletiu na empresa por causa das dificuldades em obter financiamentos no mercado externo e tomada de empréstimos em bancos públicos brasileiros."
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