quinta-feira, 23 de abril de 2009

EDITORIAL DO O POVO E A EXONERAÇÃO DO COMANDANTE DO CPC


A exoneração do coronel Sérgio Costa do Comando de Policiamento da Capital (CPC) é o tema de editorial do O POVO desta quinta-feira. Confira:

"Foi bem recebida pela opinião pública a notícia de que a Polícia Militar está tomando providências para punir os membros da patrulha da PM que livraram o cabo Francisco Carlos Barbosa Ribeiro - indiciado em inquérito policial como sendo o autor do tiro que matou a universitária Francisca Nádia Brito do Nascimento – do flagrante. A iniciativa, segundo denúncias, foi mais uma manifestação do corporativismo existente na instituição policial. O episódio da morte da estudante continua a provocar indignação. A evidência do despreparo do suposto autor do tiro traz de volta velhas críticas sobre a qualidade do treinamento recebido pelos integrantes da PM.

Especialistas são unânimes em afirmar que a reação do militar acusado de ter efetuado o disparo foge a todos os padrões técnicos de procedimento em situações daquele tipo. Já a iniciativa de livrar o flagrante do acusado é uma atitude que demonstra o quanto é arraigada no aparelho policial essa distorção chamada corporativismo. Trata-se de um procedimento inadmissível que favorece a impunidade em nome do companheirismo. O resultado é o descrédito da população em relação à instituição policial.

Na verdade, o episódio serviu, como sempre ocorre, para que as redações recebam a manifestação de indignação da sociedade, através de cartas-denúncias com relatos de casos de acobertamento de arbitrariedades e ações criminosas de policiais militares por seus companheiros. Isso cria dentro da corporação o sentimento de que seus membros estão acima da lei – o que, evidentemente, não é a política oficial da instituição, tanto que as autoridades estão se mobilizando para punir os responsáveis pelo acobertamento. Seria faltar com a verdade, no entanto, dizer que a prática do corporativismo se cinge aos menos graduados.

Pelo contrário, o exemplo vem de cima – da oficialidade -, sendo comum membros da mesma hierarquia protegerem-se mutuamente. Aliás, isso não é uma exclusividade da Polícia Militar, mas é uma deformação muito presente nas corporações. Só que no caso da atividade policial as consequências são bem mais graves, pois obstruem o papel da Justiça e geram mal estar na sociedade pelo fato de esta depender dos serviços de um corpo de funcionários deformados por esse tipo de prática. As autoridades de segurança pública têm a noção de que a sociedade não reage bem diante de faltas como essa.

Na verdade, a população está exigindo medidas imediatas não só para punir os possíveis responsáveis por esse episódio, mas no sentido de desenvolver uma cultura interna de acatamento escrupuloso da lei. Afinal de contas, o papel da Polícia é justamente o de combater os que investem contra a segurança dos cidadãos e violam as leis que os resguardam."

6 comentários:

Ana Lúcia disse...

Está certo o secretário. Em tropa que não age corretamente quem paga é o chefe.

Anônimo disse...

Eliomar de Lima,

Caro Jornalista,

O Conselho Superior da Defensoria Pública reunir-se-á hoje, dia 23 de abril de 2009, às 10.30, em reunião aberta aos Defensores Públicos, para deliberar sobre a RESOLUÇÃO 22, atacada por todos segmentos da Defensoria Pública.
Favor dar destaque a essa notícia pois na Vertical de ontem saiu o horaráio errado e até no site da ADPEC esse horário estáva diferente do verdadeiro horário.
Como seu blog é lido constantemente por todos os Defensores Públicos, solicito ao prezado Jornalista que dê ênfase a esta notícia, a fim de que os Defensores Públicos não percam esta oprotuidade de serem ouvidos na reunião do Conselho, por terem visto o horário errado. Por favor, se for possível, coloque um post...

Anônimo disse...

Essa reunião do Conselho Superior da DPGE VAI FEDER A CHIFRE QUEIMADO!

Paulo disse...

Muda o comandante,mas não muda o corporativismo.Por ser um simples cabo,talvez,venha a sofrer as punições cabíveis.Mas,quanto ao tenente,que teria dado guarida ao assassino,alguém acredita em punição?

Anônimo disse...

Rapaz, esse cara não é gêmeo do Chavez, o beiçola da Venezuela?

Mais um caso de "separados no berço"...

ericodias disse...

em tropa que não age corretamente acho que deve-se mudar é a tropa mesmo.

Esse negócio de que quando está indo ruim quem vai é o "técnico" é muito manjado. O secretário quer é dar uma "satisfação", a sociedade espera medidas mais concretas.

A questão da violência policial é tão arraigada quanto o corporativismo, até nos membros do ronda ela já se instalou, que seriam mais novos e com uma formação mais amadurecida, em tese, que os quadros normais mais antigos da polícia.

Enquanto a demonstração vulgar de poder e violência estiverem na base da formação dos policiais infelizmente cenas como essa se repetirão.