sábado, 7 de março de 2009

TASSO: SE NÃO HOUVER CONSENSO, PSDB TERÁ DE PROMOVER PRÉVIAS


Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, nesta semana, o senador tucano Tasso Jereissati (CE) avalia que seu partido não terá saída e deverá realizar prévias para a escolha do candidato do PSDB que concorrerá à Presidência em 2010. Isso ser for mantida a atual conjuntura, com dois pré-candidatos da legenda postulantes à disputa: os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves. "Se não tiver acordo, não temos saída, a não ser promover as prévias. Elas são absolutamente necessárias e fundamentais. Eu digo com a experiência de quem já participou de outros processos de escolha para a Presidência da República, sem que fossem mais abertos e participativos. E digo: não dá certo", declarou o senador ao Estado.
Em 2002, Tasso era pré-candidato à disputa pelo Planalto, mas foi Serra quem ficou com a indicação. Ele se manteve distante da campanha e foi acusado por tucanos de atuar em favor de Ciro Gomes, adversário de Serra. Para Tasso, o caminho de escolha não é pela cúpula partidária. "Não dá certo, não fica uma coisa legítima", disse o senador, que teceu elogios aos dois governadores, mas tergiversou quando questionado sobre sua preferência. Indagado a respeito da tese de que política tem vez, e que esse seria o momento de Serra, declarou: "Política não tem fila. Tem acordo ou voto." Citou Barack Obama, presidente dos EUA, que ganhou a eleição após vencer de virada as primárias democratas. Abaixo, a entrevista:

ESP - O PMDB é corrupto?

TASSO - Acho que a grande maioria do PMDB, que tem homens ilustres, claro, é hoje formada por organizações que se especializaram não mais em atingir a Presidência, mas em conseguir cargos que deem poder e recursos. É um partido voltado para ter, através da maioria parlamentar, cargos estratégicos do ponto de vista político e financeiro.

ESP - Só o PMDB age assim?

TJ - Não, é importante dizer que não é só o PMDB. O PMDB só faz i sso porque tem a aquiescência do Executivo. Essa rede se espalhou por todo o sistema de poder do País, principalmente pelas prefeituras. E o governo Lula é conivente. Ele montou um sistema de poder, em que a sua sustentação parlamentar é feita com base nisso aí, nesse tipo de permuta. É baseado puramente no toma-lá-dá-cá. Dentro da organização que eles fizeram, que me parece única no mundo, deixaram de se interessar em ter a Presidência, mas querem o poder do presidente, seja qual for o eleito. Mas ainda assim todos querem se aliar ao PMDB, inclusive o partido do senhor. Aí você entra na reforma política. O PMDB é fundamental por causa do tempo de TV, porque monta um esquema de prefeitos realmente muito capilarizado pelo País e também porque vira a maioria congressual por causa desse ciclo vicioso. Aí é fundamental para governar.

ESP - O sr. acha que o PSDB será capaz de atrair o PMDB em 2010?

TJ - O PMDB vai com quem estiver na frente. Hoje está com poder, instalado até o último dia. Aí vai ver o que está com mais chance. Apesar de que isso não é importante para eles, porque terminada a eleição eles passam a ser fundamentais. Já deixou de ser importante estar junto. Na primeira eleição do Lula, não o apoiaram, nem na primeira do FHC. Apostaram errado. Apostaram em quem estava no poder. Depois migraram para o poder no primeiro dia.

ESP - Como o sr. vê a discussão no PSDB para a escolha do candidato em 2010?

TJ - Essa discussão interna é saudável até certo ponto. Tenho a convicção de que não ocorrerá, em função dessa disputa interna, nenhum tipo de defecção futura, e nós temos a felicidade de ter dois grandes candidatos. Se não tiver acordo, não temos saída, a não ser promover as prévias. Senão elas são absolutamente necessárias e fundamentais. Eu digo com a experiência de quem já particip ou de outros processos de escolha para a Presidência sem que fossem mais abertos e participativos. E digo: não dá certo.

ESP - O sr. se refere às escolhas de 2002 (Serra) e 2006 (Geraldo Alckmin)?

TJ - Sim. Não dá certo, é complicado, não fica uma coisa legítima. As pessoas não se sentem envolvidas no processo, não se sentem participantes da escolha. Não é bom. Se tiver um acordo e se chegar a um consenso em que o partido se sinta confortável, tudo bem. Mas não havendo, havendo realmente disputa, a prévia é a única maneira de solucionar isso. Não é pela cúpula.

ESP - Tucanos riem quando se fala em prévias, alegando que o PSDB nem estrutura tem.

TJ - Não vejo por que dar risada. Quando fui presidente do PSDB (em 2006), fiz um trabalho grande e montei uma estrutura para realizar prévias. Temos total condições de realizá-las. Mas é claro que tem gente que não quer a prévia. Não é tradição do partido. Não é tradição do partido mesmo. A tradição do partido é o que chamávamos de reunião de cardeais. Reuniam 10 ou 12 e chegavam a conclusões, mas isso era quando o PSDB era pequeno. Agora não. Somos grande, com gente nova, que não tem aquela cultura dos cardeais. E a maioria dos cardeais desapareceu, infelizmente. A quantidade de gente nova que não conviveu com essa cultura, que não aceita esse tipo de solução, é muito maior. Então não dá mais para o partido, em situação de disputa, resolver por acordos de cúpulas.

ESP - Mas não é perigoso rachar?

TJ - Por isso que é a discussão é saudável até certo ponto. Até o ponto de não levar a divergências mais profundas. Nós temos aí o exemplo recente dos Estados Unidos, da Hillary (Clinton) com o Obama, que foi muito saudável para o partido.

ESP - Muitos tucanos defendem a tese de que política tem vez e que agora seria a vez de Serra.

TJ - Política não tem fila. Tem acordo ou voto. Aí vou voltar ao Obama.

ESP - Quem o sr. acha que seria o melhor candidato?

TJ - Os dois são. Nós temos muita sorte de ter dois candidatos muito bem preparados para ser presidente, para ser uma liderança. Os dois têm a experiência de comandar Estados grandes. Isso é um problema, mas é uma sorte também.

ESP - E uma chapa puro-sangue?

TJ - Acho que a gente tem condições até de pensar nisso.

ESP - O sr. citou o processo de 2002, quando perdeu a indicação para Serra. Ficou alguma rusga?

TJ - Comigo? Zero. Nenhuma. As pessoas acham que eu não me dou bem com Serra, mas eu me dou muito bem. O problema é que temos até uma relação muito franca. Às vezes, ele diz coisas que eu não gosto, e eu também, o que é bom.

4 comentários:

Paulo disse...

É.Eu também tenho uma maravilhosa convivência com a minha sogra,às vezes,ela diz coisas que eu não gosto, e eu também digo.Graças a Deus,que ela já morreu.

Anônimo disse...

O que os políticos dizem não interessa muito. O que vale é a prática de cada um ! Quando o sr. Tasso diz que não existe rusgas entre ele e Serra, está subestimando a inteligência de nosotros. Tudo muito sabe que eles se desentendem bem !

João Teles

Anônimo disse...

Por falar em falta de ética de setores do PMDB, já não estava na hora de abrir a "caixa preta" da quebra e da privatização do BEC ?

reginaldo disse...

psdb e pt estão reféns dos abutres do pmdb. eles têm que juntos chegar a um entendimento e deixar esse oposicionismo cego entre eles de lado, para o bem do país. afinal de contas, eles são unha e carne...